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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Teologia da lata de nescau

Certa vez li um livro interessante com um título curioso: A teologia do cachorro e do gato. Nele os autores comparam as atitudes desses dois animais em relação aos donos (o gato, manhoso, quer se satisfazer, enquanto o cão, leal, quer agradar) e nosso relacionamento com o nosso "Dono". Achei a analogia dos autores muito interessante. Fiquei pensando se é possível criar “teologias” a partir de coisas cotidianas, como, no caso, dos animais domésticos, até que um dia eu tive um estalo a partir da brincadeira de minhas filhas pequenas.

Crianças (e alguns adultos) gostam muito de fazer barulho. A coisa que elas mais apreciam é fazer uma “batucadinha”. Minhas meninas gostam de pegar latas vazias de alumínio, dessas de Nescau, e fazer uma bateria improvisada. Vendo aquela lata agredindo meus ouvidos, comecei a formular a teologia da lata de Nescau.

Todos sabem como é a lata de Nescau. O alumínio faz um barulho intenso se batermos nele. Porém, a lata só faz barulho se estiver vazia. Experimente fazer batucada em uma lata cheia, de preferência lacrada, que você acabou de comprar no supermercado. O som que sairá é mínimo se comparado ao de uma lata vazia.

Na minha caminhada com Jesus tenho visto muita "lata de Nescau vazia" nos templos. Pessoas ocas de vida, sem conteúdo, sem relacionamento sadio e santo com Deus, mas, que no entanto, fazem muito barulho. Porém, o barulho que fazem, na verdade, não é para atrair a atenção para o Senhor, mas sim para si mesmos. Quanto mais vazios, mais barulhentos.

Felizmente há também muita "lata de Nescau cheia". Gente que não atrai a atenção para si, e sim para o seu conteúdo -- a presença de Deus neles. Gente que não se importa com holofotes, gente com um relacionamento com Deus baseado na graça. O conteúdo de suas vidas ocupa todo o espaço. Naturalmente eles exalam aquilo que Paulo classificou de bom perfume de Cristo (2Co 2.15).

Quando vamos a um supermercado, não nos interessamos pela embalagem. Queremos saber se o conteúdo do produto é bom, se satisfaz as nossas necessidades. Tanto é que, quando o produto acaba, jogamos a embalagem fora. Uma lata de Nescau vazia só terá utilidade se for reutilizada para outros fins (guardar quinquilharias como pregos enferrujados, por exemplo). Caso contrário, o seu destino é a lata de lixo. O que queremos, portanto, é o conteúdo, e não o invólucro.

Não é à toa que a Bíblia nos exorta tanto a estarmos cheios do Espírito (Ef 5.18), tendo em nossas mentes somente aquilo que presta (Fp 4.8). Na medida em que nosso conteúdo for o de Deus, despertaremos a atenção para Deus, e poderemos realizar o nosso papel de sal da terra e luz do mundo. Contudo, se estivermos vazios, seremos como o sal insípido, que só serve para calçamento (Mt 5.13), ou seja, ser pisado (outro termo poderia ser “humilhado”) pelos homens, e, no final, ser jogado no lixo da história.

Fica então a admoestação de Deus: viva cheio de Deus. Busque-o sempre (Is 55.6). Molde seus padrões em conformidade aos dele, e não tente fazer o contrário (Rm 12.1-2). Enfim, seja uma lata de Nescau cheia, plena, e não uma lata vazia, barulhenta e sem significado

Extraído do site : http://www.ultimato.com.br/

sábado, 8 de dezembro de 2007

O velho dilema entre o sagrado e o secular

Tenho observado em algumas pessoas, em específico aquelas que buscam viver para Cristo, um dilema que me é peculiar. A velha dicotomia entre o secular/sagrado entre o particular/público (particular referindo-se as crenças).

Queremos servir a Deus de todo coração, com todo o nosso ser, porém não podemos viver integralmente para obra.
Origina-se então o sofrimento e a sensação de sermos incompletos, ineficazes, de estarmos desperdiçando a nossa vida.

Mas será que estamos? É cabível esse sentimento? Será que o problema não está em deixarmos a nossa fé cristã hermeticamente distante do restante de nossa vida, sendo apenas liberada em cultos de louvores a Deus?

De fato é difícil levar uma vida íntegra - no sentido literal da palavra , totalidade, por inteiro - quando somos forçados a deixarmos de lado nossas crenças mais íntimas ao chegarmos no trabalho, na faculdade etc. Somos forçados a atuar como profissionais com mentes meramente secular. Nisso se manifesta o problema e a insatisfação.

Só para lembrar não há como desmembrar o indivíduo em dois,ficando de um lado a crença e do outro os atos. Somos constituídos de ambos, crença e atos são faces da mesma moeda.Nossas atitudes são influenciadas diretamente pelo que cremos, ou pelo menos devia ser.

Quando permitimos que o meio secular aprisione nosso evangelho, inviabilizamos sua atuação transformadora atráves de nós, assim como também retiramos a oportunidade dele irradiar em todo nosso viver.

Somos seres sociais , vivemos num mundo díspar.
É preciso que nós- os cristãos- assumamos as diferenças de nossa fé, movendo-a do nosso interior para a prática real, libertando-a de nossa particularidade para deixa-lá pública. Senão viveremos o eterno cabo de guerra da desagregação da espiritualidade em nosso viver rotineiro.

Somos seres espirituais, racionais, sentimentais, não há como dissociar essas constituintes afim de exercemos em momentos distintos a cidadania celeste e terrena.

Se somos novas criaturas nascidas do Espírito, se temos o caráter transformado, faz-se necessário então que ele se manifeste aqui na terra.

Ao permitimos que ele fique enclausurado na salinha da nossa religiosidade particular, inevitavelmente abrimos a brecha para insatisfação de não vivermos uma vida plena em Deus.

È preciso modificar a estrutura macro da nossa vida e da sociedade, é preciso alterar a base, ou seja, a mente social e individual. Pensando assim Charles Malik disse: " O problema não é só ganhar almas, mas salvar mentes. Se você ganhar o mundo inteiro e perder a mente do mundo, logo descobrirá que não ganhou o mundo."

Quando uma mente é transformada em Cristo subseqüentemente as ações são modificadas, por essa razão o aspóstolo Paulo disse: " E não vos conformeis com este mundo mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Rm 12:2

Precisamos fazer uma auto-análise afim de detectar em nossas mentes que partes ainda não estão cativas em Cristo.

Quando nossa mente renovada assumir o controle de tudo que somos o evangelho se propagará como centelhas vivas por toda nossa vida.

Nesse momento sentiremos o gozo da plenitude de vivermos em Cristo, para Cristo dissipando toda dicotomia, pois libertamos o evangelho que traz vida e o apresentamos a todos que convivem conosco.

Ele deixará de ser apenas percebido nas ebd's, culto e festas religiosas, mas será reconhecido em qualquer atitude nossa, seja ela ligada diretamente a eclésia ou apenas como civis, profissionais. Dessa forma estaremos vivendo e praticando as leis de Deus na cidadania terrena arruinando o dilema do sagrado x secular.

Que Deus nos ajude nessa dura mas gloriosa tarefa.

Carol.

Bem vindos a loucura dessa cabecinha.Se possível volte sempre